Brasil: 20 anos após morte de Betinho, Brasil corre risco de voltar ao Mapa da Fome, denunciou Eduardo Suplicy (PT)

Suplecy PT en Bogota nov 2015

“O PESADELO DA FOME PODE VOLTAR!” denunciou Eduardo Suplicy, o vereador mais votado da história de São Paulo e do Brasil com 301.446 votos:

“Que o apelo de Betinho possa ressoar com força junto a todo povo brasileiro, para que não permitamos qualquer retrocesso no combate à fome e à miséria. Falecido há 20 anos, se vivo fosse, ele estaria conclamando ao governo que não permitisse a queda de 14,2 milhões, em julho de 2015, para 12,6 milhões de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família”.

Há 20 anos, às 21h10 de uma noite de sábado, o Brasil perdeu Herbert de Souza, o Betinho, um sociólogo que dedicou a vida à defesa do interesse coletivo, à luta pela ética na política e contra a fome e a miséria (www.celebrarbetinho.org.br ). O contexto da sociedade brasileira — com 14 milhões de desempregados, avanço da pobreza e redução nos gastos públicos com saúde, educação e segurança — faz pensar em como seriam os dias atuais sem essa ausência.

No mês passado, 20 instituições da sociedade civil apresentaram o relatório Luz da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. O documento analisa o desempenho do Brasil para o cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), mas trouxe alerta sobre o risco de o país voltar a constar no próximo Mapa da Fome. Esse levantamento — feito pela instituição da ONU que lida com a agricultura e a alimentação, a FAO — indica em quais nações mais de 5% da população ingerem diariamente menos calorias que o recomendado. O combate à fome era bandeira de Betinho.

Só em 2014, o Brasil desapareceu do Mapa da Fome. Pela primeira vez, 3% dos brasileiros tinham que lidar com a falta de condições para satisfazer a necessidade vital por comida, e, assim, o mapa do país deixou de ganhar, no levantamento da FAO, a cor avermelhada. Apesar do aumento da pobreza e da degradação das condições sociais, o Bolsa Família atende hoje 800 mil famílias a menos em comparação com 2013.

Em nota (http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/08/09/internas_polbraeco,616286/apos-morte-de-betinho-brasil-corre-risco-de-voltar-ao-mapa-da-fome.shtml ), o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) argumenta que o aumento da pobreza e da miséria no Brasil, presente no relatório, é consequência da irresponsabilidade fiscal do governo Dilma Rousseff (PT) e de uma condução desastrosa da política econômica. “Assumimos o governo com as contas deficitárias. Mesmo assim, reajustamos o benefício médio do Bolsa Família em 12,5%, o que não era feito havia dois anos, e isso teve forte impacto na vida da parcela mais vulnerável da população”, explica o ministro da pasta, Osmar Terra (PMDB).

Suplicy fala em ato do Movimento Nacional da População de Rua, que antecede o “Dia Nacional de Luta da População de Rua”. 18 de agosto tem Seminário sobre o tema na Câmara:

https://www.facebook.com/EduardoSuplicy/?hc_ref=ARRMWxOsCi3_WGbCfJB_qLBNJw_JAWCM10UUIPQXZUtgc-7YilrBD2yD9Eswl288sZY&fref=nf&pnref=story

ENTREVISTA EXCLUSIVA A EDUARDO SUPLICY

Durante um seminário internacional, realizado em Bogotá (20.11.2015), eu consegui entrevistar Eduardo Matarazzo Suplicy, após 24 anos como senador do PT, hoje, com 74 anos, dirige a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos, na metrópole de São Paulo, responsável por coordenar políticas públicas para a infância e adolescência, juventude, LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais], imigrantes, entre outros públicos.

Dirigente histórico do Partido dos Trabalhadores do Brasil (PT), professor de Economia da Escola de Administração de Empresas e de Economia de São Paulo, entre outras instituições, é autor do livro “Renda básica de cidadania, a resposta dada pelo vento”, um texto que aprofunda a ideia medular da sua carreira como político.

Eu liderei uma carta aberta às Nações Unidas sobre o tema das crianças e adolescentes em situação de rua e dos trabalhadores, firmada por 74 especialistas de todo o mundo (7) e que, no Brasil, foi apoiada pelo senador Cristovam Buarque, ministro da Educação do primeiro governo do presidente Lula (ele publicou vários de meus artigos) (8) e por Verônica Müller, professora da Universidade de Maringá [Paraná] e membro do Movimento Nacional Meninos e Meninas de Rua (MNMMR). O que pensa sobre essa problemática da infância e adolescência em situação de rua, hoje, relacionada, no Brasil, ao debate sobre a redução da idade penal?

Resposta: É um tema muito importante, por isso deixo uma mensagem em vídeo (que, após pronta, será divulgada), para que possam difundir em nível mundial. Se queremos reduzir a criminalidade violenta, necessitamos de instrumentos que elevem o nível de justiça na sociedade, não devemos reduzir a idade penal. Para prevenir a criminalidade juvenil, tem que se priorizar a educação de qualidade para todos e todas, desde a primeira infância, com o objetivo de promover um desenvolvimento integral. Nessa ótica, a “Renda Básica Cidadã” é uma ferramenta para reduzir a criminalidade e a violência nas favelas. A Prefeitura de São Paulo abriu uma consulta, até 30 de novembro [de 2015], para debater a implementação de turno [escolar] para 100 mil alunos da rede municipal, em 2016. O programa “São Paulo Integral” pretende ampliar a jornada escolar de cinco horas para sete horas, mesclando disciplinas, como Matemática e Português, com atividades esportivas e culturais. Desde 2013, 72 mil crianças estão matriculadas em 367 escolas da cidade, com educação em tempo integral.

VIDEO ENTREVISTA DE MORSOLIN A EDUARDO SUPLICY:

https://www.youtube.com/watch?v=gZ96HdVWqz8

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