Pedagogia Social pode ajudar os setores populares excluídos, pelas perspectivas gramsciana e freireana, articulo de Morsolin

CIPS yo mio Panel

Autor: Cristiano Morsolin

De 1 a 3 de setembro se desenvolveu na Universidade Federal do Espirito Santo (UFES) e Instituto Federal do ES (IFES) o V Congresso Internacional de Pedagogia Social (1). Foram apresentados 130 trabalhos de pesquisa de mestrandos e doutorandos de inúmeras universidades brasileiras.

O Congresso Internacional de Pedagogia Social & Simpósio de Pós-Graduação, em sua quinta edição, foi um evento dedicado a discutir de maneira ampla a regulamentação da Educação Social como profissão no Brasil, a formação deste profissional e as áreas de atuação que entendem a Pedagogia Social como a Teoria Geral da Educação Social.

Em face da opção política do atual governo de fazer do “Brasil, pátria educadora”, o V CIPS tem como lema questionar o lugar que deve ocupar “A Educação Popular, Social e Comunitária nas Políticas Públicas no Brasil” em um momento em que se discute o Sistema Nacional de Educação, o Plano Nacional de Educação, a Reforma do Ensino Médio, a destinação dos recursos do Pré-Sal à Educação, a redução da maioridade penal da adolescência e a violência contra a juventude pobre e negra das periferias, dentre tantos outros temas.

No Simpósio de Pós-Graduação foram apresentadas pesquisas de mestrado, doutorado e pós-doutorado que investigam as demandas da sociedade relacionadas à cultura, ao lazer, ao suprimento de necessidades básicas, ao atendimento a populações em situação de vulnerabilidade e risco, ao trabalho, à formação continuada, à sustentabilidade, aos direitos humanos, dentre tantas outras. A partir das relações entre as experiências internacionais e as práticas educativas populares, sociais e comunitárias realizadas no Brasil.

Como um corpo de conhecimentos que serve como teoria geral para as práticas de Educação social, popular e comunitária no Brasil e como disciplina científica ao mesmo tempo, a Pedagogia Social conta com tradições próprias de pensamento na Europa e em certa medida na América Latina. Ainda assim, o que no Brasil entendemos como Teoria Geral da Educação Social foi problematizada enquanto teoria dos conflitos sociais, os quais marcam as instituições e os sujeitos, notadamente em espaços não escolares.

Muito interessante foi a palestra da prof. Maria Stela Santos Graciani, titular do curso de pedagogia na PUC de São Paulo, colaboradora do Paulo Freire, do Cardeal Arns, fez o lançamento do livro “Pedagogia social – Ed. Cortez, 2015” (2) destacando que “por se tratar de uma obra aberta, por isso ainda em construção, destina-se a todos os educadores que acreditam na esperança. Educadores que estão cansados e desacreditados no seu fazer educativo e se encontram amarrados nas tramas da burocracia do nosso sistema educacional ou fora dele, e n ão encontram saídas para se livrarem dessas amarras. É acreditando na possibilidade concreta de mudança do humano e consequentemente do seu ambiente que a pedagogia social contribui no processo de transformação, não como um receituário pedagógico, mas com ideias, princípios e experiências que valorizam o homem numa perspectiva libertadora e solidária”.

Entre outras obras da professora Maria Stela Santos Graciani, está o livro “Pedagogia Social de Rua”, que complementa a leitura de “Pedagogia Social”, a partir de ensinamentos de Paulo Freire, com ênfase na educação dos excluídos da sociedade.

A prof. Stela Santos destacou que “A Pedagogia Social pauta – se numa Educação Social realizada por meio da ação significativa e transformadora! Resinificar, ter esperança e utopia frente a história!. A Pedagogia Social de Rua é um processo político invertido e horizontal que busca construir um novo olhar, ousadamente corajoso e com uma teimosia esperançosa no acreditar na mudança e na transformação do ser humano e no convívio em sociedade”.

A Pedagogia Social é um Projeto Político de nação: um novo ser humano público que almeja construir uma nova sociedade, uma nova configuração de humanidade e uma nova forma de convivência. Para tal, precisamos refletir sobre as mudanças nas relações” – João Clemente de Souza

Prof. Dr. João Clemente de Souza Neto, Professor do Curso de Pedagogia  da Universidade Presbiteriana Mackenzie, acredita que a “Pedagogia Social pode ajudar os setores populares excluídos, pelas perspectivas gramsciana e freireana. O educador social ou o pedagogo social são intelectuais orgânicos. Seu papel é produzir e sistematizar um saber a partir deste lugar, da rua, do grupo, dos espaços mais vulneráveis. Cabe a eles influenciar a cultura e as políticas públicas para que atendam efetivamente às necessidades e demandas da população excluída, de lutar junto e com ela para que as instituições alterem a concepção de vê-la como feixe de carências, como coisa, que passem a vê-la como sujeito. Não se trata de fazer políticas públicas para essa população, como de uma classe para outra, mas de pensar as políticas públicas a partir dela e com ela. Nessa nova forma de pensar, de ser e agir, os excluídos contribuem para colocar em movimento a construção de um processo civilizatório fundado na liberdade, na justiça e na democracia, e não mais na desigualdade social e na exploração.

Esta é a utopia da Pedagogia Social. Nesse sentido, a pedagogia social e a educação social devem estar profundamente comprometidas e impregnadas da situação dos oprimidos. É nesta relação que a pedagogia social pode ser sempre nova e contribuir para a concretização de uma utopia emancipatória, fundada num caráter democrático. Por isso, ela não é um amontoado de teorias mortas, e pode ajudar a romper com a miséria de uma pedagogia focada na opressão e na desumanização das relações. A pedagogia social tem tudo para ser revolucionária. O V CIPS – Congresso Internacional de Pedagogia Social – traz como centro de abordagem o lugar da educação social, com a finalidade de compreender e interpretar a realidade e, ao mesmo tempo, de sentir e capturar os clamores dos excluídos.

Os setores populares excluídos, como meninos em situação de rua, têm sido um espaço profundo de aproximação, escuta, de caminhada comum, em busca do despertar do novo homem público e do forjar de um novo paradigma”.

Toda a materia completa:

Agencia ALAI (Ecuador)

http://www.alainet.org/pt/articulo/172476

Agencia ADITAL

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=86536

Agencia Ecodebate

http://www.ecodebate.com.br/2015/09/21/pedagogia-social-pode-ajudar-os-setores-populares-excluidos/

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